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 Entre o hábito e o risco: o impacto dos embutidos na saúde
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Entre o hábito e o risco: o impacto dos embutidos na saúde

No Dia Mundial da Saúde, especialista do Hospital Santa Catarina - Paulista reforça o papel da alimentação na prevenção de doenças; a ingestão diária de apenas 50 gramas de embutidos pode aumentar em cerca de 18% o risco de câncer colorretal.


Salsicha no café da manhã, presunto no lanche, bacon no fim de semana. A carne processada entrou tão profundamente na rotina dos brasileiros que raramente se questiona o que ela representa para a saúde ao longo dos anos. No Dia Mundial da Saúde (7/04), o Dr. Yuri Bittencourt, oncologista clínico do Hospital Santa Catarina - Paulista, chama a atenção para algo que a ciência já confirma há tempo: a alimentação está entre os fatores que mais podemos controlar na prevenção do câncer.

 

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à OMS, classifica as carnes processadas como carcinógenos do Grupo 1, e indica que há evidências científicas suficientes de que seu consumo causa câncer em humanos. “Uma ressalva importante: essa classificação diz respeito à força das evidências, não à intensidade do risco em comparação a outras substâncias da mesma categoria. Entender essa diferença evita tanto o alarmismo quanto a falsa tranquilidade”, explica o especialista.

 

Os números são concretos. Consumir cerca de 50 gramas de embutidos por dia, o equivalente a pouco mais de duas fatias de presunto ou um cachorro-quente, está associado a um aumento de aproximadamente 18% no risco de câncer colorretal. “À primeira vista pode parecer pouco, mas é um aumento real, dose-dependente e que se acumula ao longo da vida”, reforça o oncologista clínico.

 

Na prática, o risco de desenvolver a doença ao longo da vida sobe de cerca de 5% para aproximadamente 6%. A diferença parece pequena à primeira vista, mas multiplicada por milhões de pessoas que se alimentam dessa forma todos os dias, o impacto na saúde pública é considerável.

 

O câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso, geralmente a partir de pólipos que, com o tempo, podem se transformar em tumores malignos. Mudanças persistentes no hábito intestinal, sangue nas fezes, dor abdominal, perda de peso sem explicação e cansaço fora do comum são sinais que não devem ser ignorados.

 

Fatores de risco e prevenção

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A doença raramente tem uma causa única. Idade, obesidade, sedentarismo, tabagismo, álcool e histórico familiar também pesam na balança. Quem tem parentes de primeiro grau com câncer colorretal já parte de um risco de duas a quatro vezes maior. “Quando existe essa predisposição genética, cada fator comportamental de risco, como o consumo frequente de embutidos, agrava ainda mais essa vulnerabilidade. Não é alarmismo, é aritmética clínica”, afirma o oncologista.

 

A orientação, respaldada pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), é direta: não há quantidade de carne processada considerada segura para consumo regular. Se for consumida, que seja de forma esporádica. A carne vermelha, por sua vez, deve se limitar a até três porções semanais, totalizando entre 350 e 500 gramas. “Uma dieta com mais frutas, verduras, legumes e grãos integrais não é só uma recomendação genérica de saúde. Tem efeito protetor comprovado contra o câncer colorretal”, reforça.

 

Diagnóstico precoce

A colonoscopia continua sendo o exame padrão-ouro para o rastreamento do câncer colorretal. Ela permite encontrar e remover pólipos antes que se tornem um problema, atuando na prevenção e não apenas no diagnóstico. Para pessoas sem fatores de risco adicionais, a recomendação atual é iniciar o rastreamento aos 45 anos, podendo ser antecipado em casos com histórico familiar ou outras condições específicas.

 

“O câncer colorretal é, em grande parte, evitável. Temos ferramentas reais para isso: o que colocamos no prato, o quanto nos movimentamos, quando fazemos os exames de rotina. Pequenas decisões do dia a dia constroem, ou comprometem, a saúde de anos à frente”, conclui o Dr. Yuri Bittencourt.




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