| Município
do Estado do Amapá. Foi criado pela Lei Federal nº 3.056,
de 22 de dezembro de 1956.
Etimologicamente, a palavra Calçoene significa “Cunha
do Norte”. O nome nasceu de uma nomenclatura, formada pela
Fazenda Nacional, no início do século, para designar
as área de garimpo do Amapá. Foram concebidas quadro
áreas: Calço N (de Norte), Calço S (de Sul),
Calço O (de Oeste) e Calço L (de Leste).. As minas
de Daniel e Firmino, que deram origem ao município de Calçoene,
ficavam exatamente no Calço N.
Localiza-se na parte centro-nordeste do Amapá, e limita-se
ao Norte com o Oceano Atlântico, ao Sul com os municípios
de Amapá e Pracuúba, a Leste com o Oceano Atlântico
e a Oeste com Oiapoque e Serra do Navio. Distante da capital do
Estado, 374 quilômetros.
Possui uma área de 14.333 km2. Altitude de 6,46 m (sede).

População
e estudos demográficos:
A população, segundo a estimativa
do IBGE para 2005, é de 7.703 habitantes.
Comunidades principais:
Calçoene (Sede), Calafate, Carnot, Cunani, Goiabal e Lourenço.
Historia
Em 27 de outubro de 1861, o capitão-tenente José da
Costa Azevedo, o Barão de Ladário, nomeado pelo governo
brasileiro para fazer um levantamento da área contestada do
Amapá, após três anos de trabalho(1859 a 1861),
apresenta seu relatório ao governo. Ele realizou a exploração
científica da costa do Maracá ao Oiapoque, e do Cassiporé,
Cunani, Maiacaré e Amapá. (Meira, 35).
Mas a história de Calçoene, propriamente dita, começa
em 1893 (alguns autores dizem que foi 1894), quando foi descoberto
ouro no leito do rio Calçoene, pelos brasileiros Germano e
Firmino Ribeiro, naturais de Curuçá (no Pará).
Nesse tempo, um morador da Guiana Francesa de nome Clemente Tamba,
também encontrou bastante ouro. Em razão dessas descobertas
os franceses resolverem radicalizar o desejo secular de ocupar a região,
reacendendo, assim, a questão do Contestado Franco-Brasileiro
(Ver Contestado Franco-Brasileiro), com vários conflitos envolvendo
brasileiros do Amapá e franceses de Caiena, culminando com
a vitória diplomática dos brasileiros e a anexação
da área ao Estado do Pará, em 1900 (Ver Laudo Suíço)..
Assim, a atual cidade de Calçoene teve origem no movimento
de garimpeiros e faiscadores de ouro.
De 1893 a 1898 foram extraídas das minas de Calçoene,
aproximadamente 10 toneladas de ouro, em apenas quatro anos de exploração.
Em 14 de fevereiro de 1901, Calçoene é palco da transmissão
da região do Contestado para o poder definitivo do Brasil,
por resolução do Governo Suíço que, como
mediador, resolveu a questão do Contestado Franco-Brasileiro.
Através do delegado francês Alphonse Edouard, há
a entrega da região a autoridades brasileiras nesta data.
Em 25 de maio de 1901, o decreto nº 1.021 divide o Aricari em
duas regiões: Amapá e Calçoene. Após sua
instalação, a Mesa de Rendas consegue arrecadas, do
imposto do ouro, 224 mil réis, equivalentes ao despacho de
17 quilos desse metal, das minas de Lourenço. Nesse ano a população
da sede chega a 1.600 habitantes.
Em 26 de junho de 1901, de acordo com o recensamento feito em Calçoene,
a população da então vila é de 500 habitantes,
quase toda constituída de franceses de Caiena.
Em 16 de abril de 1903 é criado o Distrito de Calçoene,
com jurisdição no então município de Montenegro
(antigo nome do município de Amapá).
Em 23 de maio de 1945 Calçoene é elevada a vila e, a
22 de dezembro de 1956, recebe foros de cidade pala Lei nº 3.056.
Em 17 de setembro de 1952, as obras de construção da
rodovia Br-156 chegam a Calçoene. Em 22 de dezembro de 1956,
pela lei nº 3.056, é criado o município de Calçoene,
instalado em 25 de janeiro de 1957.
Em 22 de abril de 1965 é instalada, na vida de Cunani, uma
estação de rádio-fonia.
Em 16 de julho de 1980, pelo decreto federal nº 84.914, é
criada a Reserva Biológica do Lago Piratuba, numa área
de 357 mil km2, pertencente a Amapá e Calçoene.
Em 23 de agosto de 1988, é inaugurado na localidade de Carnot
o sistema de energia elétrica, uma fábrica de beneficiamento
doméstico de arroz, uma antena parabólica e um poço
artesiano, paras os migrantes maranhenses que passaram a morar lá,
por incentivo do governador Jorge Nova da Costa e do então
presidente da República José Sarney, maranhenses de
nascimento.
Em 21 de agosto de 1992, com a instalação do Poder Judiciário
do Estado, é criada a Comarca de Calçoene, com a posse
do juiz de Direito.
Em 14 de março de 2001, um grupo empresarial uruguaio Sanza
se instala em Calçoene, com uma unidade de produção
de 87 mil hectares, para produção de óleo de
dendê. O grupo promete fazer, neste município, o maior
viveiro de dendê da América Latina, com 2,1 milhões
de mudas. Foram investidos R$ 3,5 milhões até 2001.
(Portal Amazônia, 14.03.2001)..

Economia
As principais atividades produtivas do município são
a Agropecuária, a silvicultura, o extrativismo, o comércio
e serviços. A garimpagem e a pesca são ocupações
ainda predominantes.
No setor primário utiliza-se a cultura da mandioca, a criação
de gado (bovino, bubalino e suino), bem como a pesca, o artesanato
e a garimpagem.
No setor terciário existem algumas marcenarias,hotéis
e cartório de registro. Os funcionários públicos
são os que mais contribuem para a economia do município.
Clima
Tropical chuvoso. Temperatura máxima de 34 graus centígrados
e mínima de 21 graus centígrados. As chuvas ocorrem
com maior freqüência nos meses de janeiro a julho, chegando
a atingir 3 mil metros. O verão vai de setembro a dezembro.
Relevo
Constituído de planície pluvial de superfície
erosiva.
Vegetação
Formada por serrados (savanas) e floresta tropical densa.
Hidrografia
Rio Amapá Grande, Rio Calçoene, Rio Cassiporé
e Rio Cunani, Cultura, Lazer e Turismo
No mês de junho organiza-se o Festival do Caranguejo, e em
dezembro, festividades em louvor à padroeira da cidade, Nossa
Senhora da Conceição.
As principais atrações turísticas são
a vila histórica de Cunani, que já foi república
por duas vezes (Ver Cunani, e República do Cunani). Também
a Cachoeira Grande, na divisa entre Calçoene e Amapá,
assim como a praia do Goiabal (a única de água salgada)
são bastante frequentadas pela população e
por turistas ocasionais.

Texto do historiador Edgar Rodrigues
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