Jornal Evangélico
do Amapá

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Renivaldo Costa
Jornalista e Educador.

Sobre as minhas razões

Renivaldo Costa Admito. Sou, não eu. Sou, o outro. Minhas palavras morrem de seu próprio veneno se escrevo sem destino. Sou onda que rebenta, repetidamente, suicida, no casco do navio. Fico espuma. Desoriento as bússolas. Minhas palavras são pulmões, secos de ar. São escravas querendo servir à sua senhora.

Admito. Sou. Não tenho pontos cardeais, nem meridianos, nem pólos. Guio-me por seu destino. Meu dia é uma incógnita. Revés de cais. Abandono ao avesso. Admito. Sou ofício da mulher que quero. Ferreiro. Ela, minha forja. Se só, me findo. Sou um vendaval a favor quando me dou. Sou estiagem, veios abertos, se não tenho a quem me doar.

Curvo-me. Escrevo porque há uma mulher que amo. Aceito. Sou sua conseqüência. Não me basto do ilimitado. Quero é ser as fronteiras de sua geografia. O limite de sua viagem, o fôlego do alcance de suas pernas. Não quero ser eu. Já me tenho, por tempo demais. Amar, é ser ela. E, ela, ser eu. E, então, ciclo, mimetismo, ser eu. Mas nela. Meu escambo, permuta, barganha. Minha estada. À vista de todos os meus mirantes. Acato. Sem olhos que me leiam, sem os aceiros de um ar de dona, não sirvo. Sou o inútil das coisas. A vida é poeira suspensa sem chão pra cair. Água de chuva, sem pétala pra umedecer. Apascento incêndios. E oscilo sobre os abismos.

Doí as dores marginais e aprendi a calar as bocas esfomeadas da memória e dos desejos. Confesso o que negaceei nos labirintos. Dobro os joelhos. Oro, no sal. Minhas palavras não têm verbetes de significados. Elas são apenas a esteira de palha, leito em mim, onde desejo que deite a mulher que me fie homem. E, se preciso, arranhe o dorso com o movimento de meu corpo a lhe domar.
Sei partir. E faço. E fiz. Só, agora, ainda não sei por onde ir.

Não são os motivos, as justificativas, que nos contam, que importa. Nós apenas acreditamos naquilo que desejamos acreditar. Mesmo quando você identifica todos os movimentos do outro ao seu redor e as razões por trás de suas atitudes, ainda assim não importa. Você apenas vê aquilo que atende aos seus desejos. Ah! Mas convém nunca subestimar o perceber alheio...

No mais, quero uma mulher que seja capaz de me amar contra a maré, que não meça oceanos, que não hesite, que me faça sua escolha, sua opção e não uma circunstância. Uma mulher que não tema desafios, nem admita o final dos amores. Porque quero uma mulher que tenha um amor em que eu acredite, em que possa dormir sem receios da distância de seus braços. Uma mulher de tanto amor que não cogite partidas, que a morte não nos separe. Eu sei. Tô pedindo demais. Não tenho tanto que mereça tanto, mas não custa sonhar...

Ah, mas se nada for possível, que Carolina me deixe ficar, então, com a menina dos olhos dela...



 
 
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